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  Livro: O caçador de pipas[17.agosto.2008] - 04:17
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  Filme: Batman - O Cavaleiro das trevas[03.agosto.2008] - 23:59
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  Blá blá blá E3 2008 isso, E3 anteriores aquilo[02.agosto.2008] - 13:39
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  KompoZer, o "quase Firefox" da criação de sites[26.julho.2008] - 01:52
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  Teorias da Conspiração: Metereologia[25.julho.2008] - 12:57
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  Livro: O Caçador de pipas                                                              
    17.agosto.2008 - 04:17   
Por: Diogo César

Algumas histórias conseguem ser impressionantes por criarem mundos fantásticos, com personagens e heróis e um monte de coisas que por mais que se tente colocar dentro de um contexto, nós sabemos que não existem de verdade. Outras histórias são impressionates por contar coisas que são absolutamente reais, mas com um tom de realidade, de noção de vivência e de mundo, que conseguem nós impressionar ainda mais. "O Caçador de Pipas" é uma história, não conta a vida de alguém que existiu de verdade, mas fala sobre um mundo de verdade onde essa história poderia sem muita dificuldade ter acontecido. Esse mundo, essa realidade tão fortemente tratada aliada a uma narrativa clássica, fazem desse um dos melhores livros dos últimos tempos.

Amir, já adulto, casado, um escritor publicado, vivendo nos Estados Unidos, se lembra de sua infância no Afeganistão e dos fatos que a marcaram, especialmente da amizade que teve com o criado da casa Hassan e de como sua fraqueza de espírito influenciou no destino que seu amigo e ele próprio acabaram tendo. Ele é forçado a se lembrar de tudo quando recebe uma ligação de um amigo da família que pede que ele vá até o Afeganistão porque ele encontrou "uma maneira das coisas serem boas novamente".Paralelo a isso temos a relação de Amir com seu pai que está fortemente relacionada a tudo que ele fez. 

O pano de fundo da história são as mudanças ocorridas no Afeganistão, desde a derrubada do rei, depois o governo comunista assunmindo, o que faz Amir e o pai fugirem para do país, e por fim do domínio do Talibã, que Amir apenas acompanha pela TV, mas que acaba conhecendo ao vivo depois. A história não chega a falar do Afeganistão após 11 de setembro, os fatos são todos anteriores a ao ataque terrorista.

Isso é o que podemos dizer sobre o que o livro fala, mas é bem provável que ao ler isso, o livro não pareça verdadeiramente interessante, ou que pareça um daqueles dramalhões de guerra ou algo assim. Eu, pessoalmente, achei o livro era mesmo algo assim, mas para a minha supresa não é nada disso. A história fala sobre aprendizado, sobre como as pequenas coisas da infância do passado formam as pessoas adultas do presente, fala de emoções humanas e dos erros e acertos pelos quais as pessoas passam tentando fazer o melhor. Todos os panos de fundo, as guerras e tudo mais, apenas ajudam a dar credibilidade ao que está sendo dito, ajudam a mostrar que o mundo e a vida podem ser maiores e que podem acontecer muito mais coisas, e além disso, mostra que as coisas acontecem como resultado de uma corrente de pequenos detalhes.


o Autor Khaled Hosseini, nascido em Cabul, em 4 de março de 1965
em um Afeganistão bem diferente do atual


Essa é uma história que 1 a cada 10 mil pessoas, não vai gostar de ler, isso porque fala de situações e medos que todas as pessoas conhecem, aliada a uma narrativa clássica, em primeira pessoa, e interessante. Lançado em 2003, esse é um dos melhores livros dos últimos anos.

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  Filme: Batman - O cavaleiro das trevas                                           
    03.agosto.2008 - 23:59   
Por: Diogo César

É engraçado como acontece com frequência de algo que as pessoas julgavam mal, ou não davam qualquer crédito acabar se tornando algo gradioso, o centro das atenções, a salvação de uma era. Até mais ou menos a metade dos anos 80, os quadrinhos eram vistos como algo infantil, voltado para um público especifico, um mercado limitado de onde não seria possível extrair mais. Essa imagem começou a mudar quando algumas publicações nessa época passaram a tratar das histórias e dos persongens com mais profundidade, tentando ir além do super-herói bonitão que consegue fazer tudo, das coisas sempre dando certo e dos mundos onde tudo é perfeitamente belo e seguro. Uma das publicações responsáveis por trazer essa nova visão tinha o nome de "The Dark Knight Returns" e contava os últimos dias da vida do Batman. O nome original de "Batman - O cavaleiro das trevas" é "The Dark Knight" e de certa forma esse filme tenta fazer pelos filmes de quadrinhos o que seu "primo de nome" ajudou a fazer pelos quadrinhos e se formos analisar pela bilheteria, parece que ele conseguiu.

Primeiramente, vamos falar dos aspectos técnicos e eles são bons. Christopher Nolan é um diretor talentoso, só precisa ver mais filmes de ação e tomar mais cuidado com a montagem das cenas desse tipo, já que não é legal um personagem atirar para um lado e a câmera no take seguinte mostrar o tiro indo pro outro. Em comparação com "Batman Begins" existe uma evolução visível, tanto na composição da cidade que dessa vez é uma cidade mesmo e não um beco sujo com iluminação de bar noturno, quanto na desenvoltura dos personagens. "O Cavaleiro das Trevas" é nitidamente um filme melhor, inclusive no roteiro, escrito dessa vez pelo diretor e por seu irmão Jonatan Nolan. Dito isso, podemos ir em frente.


- Senhor, porque estamos olhando pro lado com cara de "você peidou, né seu putinho?"
- Eu não sei, eu sou o batman, sou um cara complicado...

Geralmente quando falam demais de uma coisa, ou fazem muita propaganda é importante manter certo ceticismo. Esse filme foi muito comentado, falaram isso, aquilo, atores pra ganhar oscar, cenas de ação isso, história aquilo e tudo mais, mas e agora? No final o filme faz jus aos elogios que recebeu, mas não é perfeito e de alguma forma tem algo estranho com ele.

Existe sim uma postura diferente na maneira de se contar uma história de super herói, existe uma cidade de verdade, existe uma tentativa de crítica por trás do roteiro, existe uma imagem de vilão e de super herói que vai além de uma máscara ou uma roupa colorida, existe uma história em quadrinhos que pode ser apreciada por qualquer pessoa que goste de um filme de ação e aventura. Sò que ao mesmo tempo, ao lado de tudo isso, o filme aceita se vender, aceita fazer o chamado "fan-service".


Aaron Eckhart, como o promotor Harvey Dent, o Duas Caras
- Ai, cadê a morcega que não aparece, to com uma saudade dela!

É claro que isso não é tão ruim já que um filme deve ser divertido, deve entreter, deve dar o que o público espera. O problema é que ao fazer isso parte da alma do filme se perde, ele passa a ser uma realização comercial e não uma realização artística. Como eu disse existe arte, existe aquele tratamento dado as coisas, mas tudo é devidamente escondido e tímido para que uma pessoa comum assista ao filme, veja tudo explodindo e não perceba nada, não se sinta verdadeiramente questionado, não pegue mensagem nenhuma, termine o filme com a impressão de que é só mais um filme de revista em quadrinhos. Esses problemas de tornar tudo comercial acaba provocando algumas contradições e momentos onde somos lembrados que esse é um filme de super herói e não apenas um filme que conta uma história sobre um cara que quer salvar a sua cidade com as próprias mãos. É um filme bom, realmente acima da média e de qualquer adaptação de super herói já feita para o cinema, mas com grande tendência a ser só isso.

Sobre o tão comentado Coringa de Heath Ledger, se no filme de 1989 tínhamos um Coringa inteligente que era louco, aqui temos algo mais próximo de um maníaco parente do Jack Sparrow. São tipos diferentes, são opções diferentes e se pensarmos dentro do que é esse filme, algo mais aparentemente profundo do que algo profundo de fato, é a escolha certa. Com relação a atuação do ator australiano, é sim uma boa atuação, mas que perde em naturalidade em alguns momentos, falta tom e talvez porque as frases mais fortes dele já terem sido colocadas nos trailers quando elas aparecem no filme seu impacto é menor e pode até parecer deslocado, mas é bem provável que isso tenha sido muito mais uma opção do diretor do que do ator.

   
Heath Ledger, como Coringa e Gary Oldman como Jim Gordon

A proposta de fazer um filme baseado em quadrinhos mostrar que ele pode dizer mais e ir mais além é cumprida. Esse é um filme bom, que aponta para uma direção nova, que deixa o "Homem de Ferro" e o novo "Hulk" com vergonha, mas que não se importa se tiver que se contradizer ou desfarçar as coisas se a crítica de seu roteiro se tornar pesada demais. Um filme bom para os dias hoje, mas que está mais preocupado em ser um sucesso comercial do que uma realização artística que quer mesmo dizer o que aparenta dizer.

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  Blá blá blá E3 2008 isso, E3 anteriores aquilo                                   
    02.agosto.2008 - 13:39   
Por: Diogo Césarr

A E3 surgiu da necessidade que o mercado de games teve de ter um espaço só seu para anunciar suas novidades, atrair atenção da imprensa e reunir as pessoas do ramo para parcerias comerciais. As empresas se uniram e criaram a ESA (Entertainment Software Association), órgão responsável por dentre outras coisas organizar a E3. O primeiro evento se deu em 1995, época em que a geração 16 bits se encerrava. A cada ano a feira cresceu, a ESA ganhou mais e mais membros, pequenas empresas de jogos venderam seu peixe, grandes empresas fizeram seus anúncios bombásticos, exclusividades foram negociadas nos corredores da feira e tudo parecia estar bem até a edição de 2006.

Atendendo aos pedidos dos seus membros a ESA decidiu repensar a E3, melhorar seu formato. A E3 havia se tornado um evento com inúmeros estandes, conferências de imprensa e já tinha um público de cerca de 60 mil pessoas, com o detalhe dessas 60 mil pessoas seram imprensa e empresas participantes, já que o evento não era aberto ao público. A tendência era que a feira ficasse ainda maior e isso começava a ser um problema para as empresas participantes, que tinham cada vez mais custos para criar seus estandes cheios de bonecos, música e as infames "booth babes", garotas geralmente em roupas curtas que "animavam" os estandes pra chamar atenção dos passantes. Mas o problema principal era outro.

Com uma feira cada vez maior, com cada vez mais gente, cada vez mais barulho, cada vez mais empresas, o lado comercial ficava prejudicada. Era complicado conseguir tempo para fazer parcerias porque e era complicado conseguir ver tudo para saber o que valia a pena investir ou não. Além disso, naquele mar de novidades, era muito comum que algumas delas passasem em branco, ofuscadas por notícias e anúncios maiores, o que acabava sendo muito ruim tendo em vista todo o investimento que tinha sido feito por aquela publicidade.

As empresas então bateram o pé, fizeram cara feia e pediram por mudanças, esse negócio de perder dinheiro não agrada os mamíferos capitalistas. Nessa época outras feiras começavam a também adquirirem tamanho e espaço na mídia consideráveis, em especial a Games Convention, na Alemanha e a Tokyo Game Show, no Japão. Esses dois eventos tinham um diferencial importante, que ajudava a eliminar o problema de se perderem novidades, contava com a participação do público, não em todos os dias, alguns eram dedicados apenas a indústria e imprenssa. É vantajoso o público ter acesso direto a essas novidades, qualquer empresário do entretenimento sabe, a imprensa tem um poder diante do seu produto, mas esse poder não se compara ao poder do gosto do público. Como sabemos, é muito comum algo ser detonado pela crítica, mas conseguir um grande sucesso comercial, porque o público gostou.

A solução que a ESA encontrou foi criar um "caráter mais intimista", filtrando expositores e principalmente membros da imprensa. Eles preferiram manter o evento apenas para um público fechado e não abrir suas portas ao público. O resultado foi que o evento que costumava ter algo por volta de 60 mil pessoas, teve em 2007, o primeiro ano do novo formato, um público em torno de 6 mil pessoas. Ao invéz de estandes elaborados dispostos por corredores sem fim, tinhamos agora pequenas coletivas espalhadas por hotéis da cidade de Santa Mônica. As empresas então ficaram satisfeitas? Não, elas não ficaram.

A ESA mais uma vez viu um monte de caras feias e indiretas dadas em entrevistas. O novo formato diminuía custos, mas diminuía a riqueza da feira, dificultando as tais parcerias comerciais já que o número de empresas se reduziu e mais do que isso diminuía a exposição que os novos projetos conseguiam, devido a quantidade reduzida de pessoas da imprensa para cobrir o evento. É claro que eles não chamaram todos para comer bolo e pronto, tudo ficou bem. A E3 foi mais uma vez repensada e decidiram que era melhor voltar para o Los Angeles Convention Center onde quase todas as E3 tinham acontecido, evitando todos os problemas de localização e trânsito que aquela idéia de convenções em vários hotéis tinha causado, mas continuando com a idéia de "caráter mais intimista".

Por algum motivo que não veio a público as empresas começaram a sair da ESA e a informar o público que não iriam participar da feira em 2008. Muitas empresas grandes tomaram essa decisão. Elas preferiram realizar seus próprios eventos, com o mesmo tamanho que teriam nessa nova E3, mas em datas isoladas, onde não precisariam concorrer a atenção de ninguém.

A E3 de 2008 segundo muitos pode ter sido a última, a menos que mudanças muito grandes sejam feitas. Nisso tudo é engraçado notar que a feira mudou e descontentou as empresas, mas fez tudo isso a pedido delas. Provavelmente tem mais coisas por trás disso tudo, mas oficialmente a E3 como está não é interessante por não trazer o destaque que as empresas precisam e por não propiciar parcerias comerciais. 

Existem rumores de que no ano que vem a feira voltará a suas origens e além disso terá agora um dia para o público. Se isso vai acontecer ou não é difícil saber, especialmente porque se ela voltar ao formato antigo, vai voltar ao problema que gerou toda a situação atual. O mercado de jogos cresceu e cresceu muito, desde 1995. Fazer uma E3 ter a importância que tinha antes, não é mais somente juntar todo mundo com um monte de estandes. Algo novo precisa ser feito, porque se não for, 2008 pode mesmo ter sido o ano da última E3, o que seria uma perda nostálgica já que tanta coisa "nasceu" para o público através dessa feira.

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  KompoZer, o "quase firefox" da criação de sites                               
    26.julho.2008 - 01:52   
Por: Diogo César

Tudo começou quando o pessoal da Netscape resolveu que essa história de código aberto, mundo Linux e tudo mais merecia uma atenção. Com a abertura do código do Netscape criou-se a fundação Mozilla, que lançou a Mozilla Application Suite, um pacote de programas que continha entre outras coisas o navegador que veio a se tornar  Firefox, o gerenciador de e-mails que veio a se tornar o Thunderbird e um criador de sites que tinha como objetivo ser uma alternativa livre ao Dreamweaver e ao Microsoft Frontpage.

O nome desse programa era Composer e sua recepção, bem como a de todos o programas do Mozilla foi boa, mesmo o programa tendo menos recursos que os programas com os quais projeto queria concorrer. Desse conjunto de programas o navegador de internet e o gerenciador de e-mails (respectivamente o Firefox e o Thunderbird) se tornaram programas independentes, sendo lançados fora do pacote Mozilla. Na mesma época a fundação Mozilla decidiu descontinuar o pacote que levava seu nome e se dedicar apenas a esses dois programas. Por ter seu código aberto, outras pessoas que viam potencial no Composer deram continuidade ao projeto.

Patrocinado pela Linspire, surgiu o projeto Nvu (se lê "New view"), que continuou ampliando os recursos do programa e corrigindo falhas. O objetivo era que o código fosse um dia reincorporado a Mozilla Application Suite, caso alum dia uma nova versão surgisse. Acontece que nem tudo é perfeito e em 2006 a Linspire anunciou oficialmente a descontinuidade do projeto Nvu. A comunidade então se reuniu e criou o KonpoZer, que nada mais é que o próprio Nvu com algumas melhorias e principalmente com correções de bugs.

O Mozilla Application Suite também foi abraçado pela comunidade, o projeto que tem apoio, mas não o envolvimento da Mozilla foundation,  é conhecido como Sea Monkey. Ele contém uma versão de um Composer, que não incorpora as últimas atualizações que podem ser encontradas no KompoZer. Resumindo, hoje o programa de criação de sites que mais tempo potencial de um dia conseguir o sucesso que o Firefox conseguiu é o KompoZer.

Hoje em dia o programa tem uma porção de recursos, incluindo suporte a CSS. Ele tem versões para Windows, Linux e Mac e para quem não tem muito conhecimento e está procurando uma alternativa livre para um editor de sites simples, ou pra quem já tem um conhecimento maior em programação de sites, já que certos recursos o programa só suporta nas linhas de código, O KompoZer ainda não está pronto, mas já é uma boa opção. Esse site inclusive é feito nele.

| Site oficial do projeto KompoZer |

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  Teorias da Conspiração: Metereologia                                               
    25.julho.2008 - 12:57   
Por: Diogo César

Saber qual o mês não é o suficiente pra que possamos prever se vai estar frio ou calor. A ciência se desenvolveu, trouxe uma porção de análises de humidade, velocidade do vento, satélites com mil opções de filtros de observação e cálculos avançados de dinâmica de marés e até de gravidade local. Tudo isso abriu a possibilidade de prever qual será o clima amanhã, ou o dos próximos dias, meses a anos.

Imagine se eu disser que amanhã vai fazer sol e acertar, aí depois disser que vai chover e acertar de novo, depois disser que vai fazer frio e mais uma vez acertar. Essas previsões de curto prazo seguidas de acertos me dariam uma credibilidade, o curto prazo é importante porque as pessoas não gostam de esperar quando querem ser surpreendidas e adivinhar qual será o clima no dia seguinte é surpreendê-las, já que o conhecimento popular de ver o céu da noite e saber como vai ser o dia seguinte, se perdeu. Em metereologia, inclusive, fazer previsões de prazo mais curto é mais fácil, já que existe muito menos chance de o vento mudar, ou de qualquer coisa inesperada acontecer.

Tendo essa credibilidade, se eu disser que o próximo mês vai ser frio, muito frio, talvez o mais frio do ano, é bem provavel que as pessoas acreditem. Elas ouvem a previsão do dia seguinte estar quase sempre correta, porque então pra elas essa do mês todo não estaria? Pras pessoas o que importa é quem está adivinhando e não a "dificuldade da adivinhação", não faz muita diferença se eu disser próximo mês ou próxima década. Se eu tiver credibilidade o bastante, só precisa ser eu quem está dizendo e pronto. E qual a utilidade disso?

O clima influencia na maneira que as pessoas vivem, o que elas fazem, o que deixam de fazer, o que comem e o que compram. Então se eu tivesse uma loja de roupas, ou mesmo um shopping com uma porção de lojas de roupas, iria me interessar muito que a previsão do tempo dissesse que vai ser muito frio o próximo mês. As pessoas acreditariam e se veriam influenciadas a ir comprar blusas, toucas, meias, cobertores, chás e canecas além é claro de gastarem algo na praça de alimentação do shopping já que vão ficar o dia todo lá. Anunciar tempos de calor poderia ter o mesmo efeito.

Para cidades turísticas, previsões do tempo favoráveis seriam muito úteis. Quem iria pra praia se soubesse que a previsão para o feriado é de chuva, ou pra uma cidade famosa pelo frio se não vai ter frio? Pense também como dificilmente seria anunciada uma temperatura que fosse tão baixa que as pessoas não pudessem sair de casa, mesmo que essa temperatura de fato ocorresse. Um dono de uma indústria farmaceutica poderia se interessar por ver as pessoas pegando friagens desprevenidas e sofrendo as consequências de mais uma "virosa inesperada".

Indo um pouco além seria possível também fazer uma manutenção dessa credibilidade de curto prazo de uma maneira bastante segura e barata. As pessoas não assistem a previsão do tempo todo dia e se assistem não guardam o que foi dito ontem ou antes de ontem. Elas sabem que a previsão disse que ia ser frio e foi, não guardam os números. O segredo está em saber dizer que vai estar frio, mas ao mesmo tempo dizer que vai estar calor, anunciar uma temperatura máxima e mínima com diferenças de até 12 graus, por exemplo, criando uma "faixa de acerto" grande. Além disso, as pessoas comuns não dispõem nem de equipamento nem de tempo para efetivamente conferir se a temperatura do dia corresponde a temperatura prevista. O que não depende de medição elas sentem, isso é, se faz frio ou se faz calor só isso. 

A metereologia é uma ciência bastante estatística, ou seja, permite erros e incertezas nos resultados anunciados. As pessoas compreendem se forem para a praia num feriado achando que teria sol e não tiver. Elas xingam, reclamam que a metereologia nunca acerta, mas no final sempre dão ouvidos ao que ela diz. Mas o mais interessante é que a metereologia tem essa credibilidade, tem essa imagem de que é inofensiva e que jamis podeira fazer parte de alguma teoria da conspiração. Aprendemos a acreditar que a previsão do tempo é nossa amiga. Mas se quisessem, ela poderia muito bem não ser.

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