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| Livro: O
Caçador de pipas
17.agosto.2008 - 04:17
Por: Diogo César
Algumas
histórias conseguem ser impressionantes por criarem mundos fantásticos,
com personagens e heróis e um monte de coisas que por mais que se tente
colocar dentro de um contexto, nós sabemos que não existem de verdade.
Outras histórias são impressionates por contar coisas que são
absolutamente reais, mas com um tom de realidade, de noção de vivência
e de mundo, que conseguem nós impressionar ainda mais. "O Caçador de Pipas"
é uma história, não conta a vida de alguém que existiu de verdade, mas
fala sobre um mundo de verdade onde essa história poderia sem muita
dificuldade ter acontecido. Esse mundo, essa realidade tão fortemente
tratada aliada a uma narrativa clássica, fazem desse um dos melhores
livros dos últimos tempos.
Amir,
já adulto, casado, um escritor publicado, vivendo nos Estados Unidos,
se lembra de sua infância no Afeganistão e dos fatos que a marcaram,
especialmente da amizade que teve com o criado da casa Hassan e de como
sua fraqueza de espírito influenciou no destino que seu amigo e ele
próprio acabaram tendo. Ele é forçado a se lembrar de tudo quando
recebe uma ligação de um amigo da família que pede que ele vá até o
Afeganistão porque ele encontrou "uma maneira das coisas serem boas
novamente".Paralelo a isso temos a relação de Amir com seu pai que está fortemente relacionada a tudo que ele fez. O
pano de fundo da história são as mudanças ocorridas no
Afeganistão, desde a derrubada do rei, depois o governo comunista
assunmindo, o que faz Amir e o pai fugirem para do país, e por fim do
domínio do Talibã, que Amir apenas acompanha pela TV, mas que acaba
conhecendo ao vivo depois. A história não chega a falar do Afeganistão
após 11 de setembro, os fatos são todos anteriores a ao ataque
terrorista. Isso
é o que podemos dizer sobre o que o livro fala, mas é bem provável que
ao ler isso, o livro não pareça verdadeiramente interessante, ou que
pareça um daqueles dramalhões de guerra ou algo assim. Eu,
pessoalmente, achei o livro era mesmo algo assim, mas para a minha
supresa não é nada disso. A história fala sobre
aprendizado, sobre como as pequenas coisas da infância do passado
formam as pessoas adultas do presente, fala de emoções humanas e dos
erros e acertos pelos quais as pessoas passam tentando fazer o melhor.
Todos os panos de fundo, as guerras e tudo mais, apenas ajudam a dar
credibilidade ao que está sendo dito, ajudam a mostrar que o mundo e a
vida podem ser maiores e que podem acontecer muito mais coisas, e além
disso, mostra que as coisas acontecem como resultado de uma corrente de
pequenos detalhes.  o Autor Khaled Hosseini, nascido em Cabul, em 4 de março de 1965 em um Afeganistão bem diferente do atual
Essa
é uma história que 1 a cada 10 mil pessoas, não vai gostar de ler, isso
porque fala de situações e medos que todas as pessoas conhecem,
aliada a uma narrativa clássica, em primeira pessoa, e interessante.
Lançado em 2003, esse é um dos melhores livros dos últimos anos. | | [ Voltar ao topo ] [ ir ao indíce de Livros ] | Filme: Batman
- O cavaleiro das trevas
03.agosto.2008 - 23:59
Por: Diogo César
É
engraçado como acontece com frequência de algo que as pessoas
julgavam mal, ou não davam qualquer crédito acabar se tornando algo
gradioso, o centro das atenções, a salvação de uma era. Até mais ou
menos
a metade dos anos 80, os quadrinhos eram vistos como algo infantil,
voltado para um público especifico, um mercado limitado de onde não
seria
possível extrair mais. Essa imagem começou a mudar quando algumas
publicações nessa época passaram a tratar das histórias e dos
persongens com mais
profundidade, tentando ir além do super-herói bonitão que consegue
fazer tudo, das coisas sempre dando certo e dos mundos onde tudo é
perfeitamente belo e seguro. Uma das publicações responsáveis por
trazer essa nova visão tinha o nome de "The Dark Knight Returns"
e contava os últimos dias da vida do Batman. O nome original de "Batman - O cavaleiro
das trevas" é "The Dark Knight" e de certa forma esse filme tenta fazer
pelos filmes de quadrinhos o que seu "primo de nome" ajudou a fazer pelos
quadrinhos e se formos analisar pela bilheteria, parece que ele conseguiu.
Primeiramente, vamos falar dos aspectos técnicos e eles são bons. Christopher Nolan
é um
diretor talentoso, só precisa ver mais filmes de ação e tomar mais
cuidado com a montagem
das cenas desse tipo, já que não é legal um personagem atirar para
um lado e a câmera
no take seguinte mostrar o tiro indo pro outro. Em comparação com "Batman
Begins"
existe uma evolução visível, tanto na composição da cidade que dessa
vez é uma cidade mesmo e não um beco sujo com iluminação de bar
noturno, quanto na desenvoltura dos personagens. "O Cavaleiro das Trevas" é
nitidamente um filme melhor, inclusive no roteiro, escrito dessa vez pelo
diretor e por seu irmão Jonatan Nolan. Dito isso, podemos ir em frente.  - Senhor, porque estamos olhando pro lado com cara de "você peidou, né seu putinho?" - Eu não sei, eu sou o batman, sou um cara complicado...
Geralmente
quando falam demais de uma coisa, ou fazem muita propaganda
é importante manter certo ceticismo. Esse filme foi muito comentado,
falaram isso, aquilo, atores pra ganhar oscar, cenas de ação isso,
história aquilo e tudo mais, mas e agora? No final o filme faz jus aos elogios que
recebeu, mas não é perfeito e de alguma forma tem algo estranho com ele. Existe sim uma postura diferente na
maneira de se contar uma história de
super herói, existe uma cidade de verdade, existe uma tentativa de
crítica por trás do roteiro, existe uma imagem de vilão e de super
herói que vai além de uma máscara ou uma roupa colorida, existe uma
história em quadrinhos que pode ser apreciada por qualquer pessoa que
goste de um filme de ação e aventura. Sò que ao
mesmo tempo, ao lado de tudo isso,
o filme aceita se vender, aceita fazer o chamado "fan-service".  Aaron Eckhart, como o promotor Harvey Dent, o Duas Caras - Ai, cadê a morcega que não aparece, to com uma saudade dela!
É
claro que isso não é tão ruim já que um filme deve ser divertido, deve
entreter, deve dar o que o público espera. O problema é que ao fazer
isso parte da
alma do filme se perde, ele passa a ser uma realização comercial e não
uma realização artística. Como eu disse existe arte, existe aquele
tratamento dado as coisas, mas tudo é devidamente escondido e tímido
para que
uma pessoa comum assista ao filme, veja tudo explodindo e não perceba
nada, não se sinta verdadeiramente questionado, não pegue mensagem
nenhuma, termine o filme com a impressão de
que é só mais um filme de revista em quadrinhos. Esses problemas de
tornar tudo comercial acaba provocando algumas contradições e momentos
onde somos lembrados que esse é um filme de super herói e não apenas um
filme que conta uma história sobre um cara que quer salvar a sua cidade
com as próprias mãos.
É um filme bom, realmente acima da média e de qualquer adaptação de
super herói já feita para o cinema, mas com grande tendência a ser só
isso. Sobre o tão comentado Coringa de Heath Ledger, se no filme de 1989 tínhamos um Coringa inteligente que era louco, aqui temos algo mais próximo de um
maníaco parente do Jack Sparrow.
São tipos diferentes, são opções
diferentes e se pensarmos dentro do que é esse filme, algo mais
aparentemente profundo do que algo profundo de fato, é a escolha certa.
Com
relação a atuação do ator australiano, é sim uma boa atuação, mas que
perde em naturalidade em alguns momentos, falta tom e talvez porque as
frases mais fortes dele já terem sido colocadas nos trailers quando
elas aparecem no filme seu impacto é menor e pode até parecer
deslocado, mas é bem provável que isso tenha sido muito mais uma opção
do diretor do que do ator.
Heath Ledger, como Coringa e Gary Oldman como Jim Gordon
A proposta
de fazer um filme baseado em quadrinhos mostrar que ele pode dizer mais
e ir mais além é cumprida. Esse é um filme bom, que aponta para
uma direção nova, que deixa o "Homem de Ferro" e o novo "Hulk" com
vergonha, mas que não se importa se tiver que se contradizer ou
desfarçar as coisas se a crítica de seu roteiro se tornar pesada
demais. Um filme bom para os dias hoje, mas que está mais preocupado em
ser um sucesso comercial do que uma realização artística que quer mesmo
dizer o que aparenta dizer. | | [ Voltar ao topo ] [ ir ao indíce de Cinema ] | Blá
blá blá E3 2008 isso, E3 anteriores aquilo
02.agosto.2008 - 13:39
Por: Diogo Césarr
A
E3 surgiu da necessidade que o mercado de games teve de ter um espaço
só seu para anunciar suas novidades, atrair atenção da imprensa e
reunir as pessoas do ramo para parcerias comerciais. As empresas se
uniram e criaram a ESA (Entertainment Software Association), órgão
responsável por dentre outras coisas organizar a E3. O primeiro evento
se deu em 1995, época em que a geração 16 bits se encerrava. A cada ano
a feira cresceu, a ESA ganhou mais e mais membros, pequenas empresas de
jogos venderam seu peixe, grandes empresas fizeram seus anúncios
bombásticos, exclusividades foram negociadas nos corredores da feira e tudo parecia estar bem até a edição de 2006. Atendendo
aos pedidos dos seus membros a ESA decidiu repensar a E3, melhorar seu
formato. A E3 havia se tornado um evento com inúmeros estandes,
conferências de imprensa e já tinha um público de cerca de 60 mil
pessoas, com o detalhe dessas 60 mil pessoas seram imprensa e empresas
participantes, já que o evento não era aberto ao público. A tendência
era que a feira ficasse ainda maior e isso
começava a ser um problema para as empresas participantes, que tinham
cada vez mais custos para criar seus estandes cheios de bonecos, música
e as infames "booth babes", garotas geralmente em roupas curtas que
"animavam" os estandes pra chamar atenção dos passantes. Mas o problema
principal era outro. Com
uma feira cada vez maior, com cada vez mais gente, cada vez mais
barulho, cada vez mais empresas, o lado comercial ficava
prejudicada. Era complicado conseguir tempo para fazer parcerias porque e era
complicado conseguir ver tudo para saber o que valia a pena investir ou
não. Além disso, naquele mar de novidades, era muito comum que algumas delas
passasem em branco, ofuscadas por notícias e anúncios maiores, o que
acabava sendo muito ruim tendo em vista todo o investimento que tinha
sido feito por aquela publicidade. As
empresas então bateram o pé, fizeram cara feia e pediram por mudanças,
esse negócio de perder dinheiro não agrada os mamíferos
capitalistas.
Nessa época outras feiras começavam a também adquirirem tamanho e
espaço na mídia
consideráveis, em especial a Games Convention, na Alemanha e a Tokyo
Game
Show, no Japão. Esses dois eventos tinham um diferencial importante,
que
ajudava a eliminar o problema de se perderem novidades, contava com a
participação do público, não em todos os dias, alguns eram dedicados
apenas a indústria e imprenssa. É vantajoso o público ter acesso direto
a essas novidades, qualquer
empresário do entretenimento sabe, a imprensa tem um poder diante do
seu produto, mas esse poder não se compara ao poder do gosto do
público. Como sabemos, é muito comum algo ser detonado pela crítica,
mas conseguir um grande sucesso comercial, porque o público gostou. A
solução que a ESA encontrou foi criar um "caráter mais intimista",
filtrando expositores e principalmente membros da imprensa. Eles
preferiram manter o evento apenas para um público fechado e não abrir
suas portas ao público. O resultado
foi que o evento que costumava ter algo por volta de 60 mil pessoas,
teve em 2007, o primeiro ano do novo formato, um público em torno de 6
mil pessoas. Ao invéz de estandes elaborados dispostos por corredores
sem fim, tinhamos agora pequenas coletivas espalhadas por hotéis da
cidade de Santa Mônica. As empresas então ficaram satisfeitas? Não,
elas não ficaram. A
ESA mais uma vez viu um monte de caras feias e indiretas dadas em
entrevistas. O novo formato diminuía custos, mas diminuía a riqueza da
feira, dificultando as tais parcerias comerciais já que o número de
empresas se reduziu e mais do que isso diminuía a exposição que os
novos projetos conseguiam, devido a quantidade reduzida de pessoas
da imprensa para cobrir o
evento. É claro que eles não chamaram todos para comer bolo e pronto,
tudo ficou bem. A E3 foi mais uma vez repensada e decidiram que era
melhor voltar para o Los Angeles Convention Center onde quase todas as
E3 tinham acontecido, evitando todos os problemas de localização e
trânsito que aquela idéia de convenções em vários hotéis tinha causado,
mas continuando com a idéia de "caráter mais intimista". Por
algum motivo que não veio a público as empresas começaram a sair da ESA
e a informar o público que não iriam participar da feira em 2008.
Muitas empresas grandes tomaram essa decisão. Elas preferiram realizar
seus próprios eventos, com o mesmo tamanho que teriam nessa nova E3,
mas em datas isoladas, onde não precisariam concorrer a atenção de
ninguém. A
E3 de 2008 segundo muitos pode ter sido a última, a menos que mudanças
muito grandes sejam feitas. Nisso tudo é engraçado notar que a feira
mudou e descontentou as empresas, mas fez tudo isso a pedido delas.
Provavelmente tem mais coisas por trás disso tudo, mas oficialmente a
E3 como está não é interessante por não trazer o destaque que as
empresas precisam e por não propiciar parcerias comerciais. Existem
rumores de que no ano que vem a feira voltará a suas origens e além
disso terá agora um dia para o público. Se isso vai acontecer ou
não é
difícil saber, especialmente porque se ela voltar ao formato antigo,
vai voltar ao problema que gerou toda a situação atual. O mercado de
jogos cresceu e cresceu muito, desde 1995. Fazer uma E3 ter a
importância que tinha
antes, não é mais somente juntar todo
mundo com um monte de estandes. Algo novo precisa ser feito, porque se
não for, 2008 pode mesmo ter sido o ano da última E3, o que seria uma
perda nostálgica já que tanta coisa "nasceu" para o público através
dessa feira. | | [ Voltar ao topo ] [ ir ao indíce de videogames ] | KompoZer, o "quase firefox" da criação de sites
26.julho.2008 - 01:52
Por: Diogo César
Tudo
começou quando o pessoal da Netscape resolveu que essa história de
código aberto, mundo Linux e tudo mais merecia uma atenção. Com a
abertura do código do Netscape criou-se a fundação Mozilla, que lançou a Mozilla Application Suite,
um pacote de programas que continha entre outras coisas o navegador que
veio a se tornar Firefox, o gerenciador de e-mails que veio a se
tornar o Thunderbird e um criador de sites que tinha como objetivo
ser uma alternativa livre ao Dreamweaver e ao Microsoft Frontpage.
O nome desse programa era Composer e sua recepção, bem como a de todos o programas do Mozilla foi boa, mesmo o programa tendo menos recursos que os programas com os quais projeto queria concorrer.
Desse conjunto de programas o navegador de internet e o gerenciador de
e-mails (respectivamente o Firefox e o Thunderbird) se tornaram
programas independentes, sendo lançados fora do pacote Mozilla. Na
mesma época a fundação Mozilla decidiu descontinuar o pacote que
levava seu nome e se dedicar apenas a esses dois programas. Por ter seu
código aberto, outras
pessoas que viam potencial no Composer deram continuidade ao projeto. Patrocinado
pela Linspire, surgiu o projeto Nvu (se lê "New view"), que continuou ampliando
os recursos do programa e corrigindo falhas. O objetivo era que o código fosse um dia
reincorporado a Mozilla Application Suite, caso alum dia uma nova versão
surgisse. Acontece que nem tudo é perfeito e em 2006 a Linspire
anunciou oficialmente a descontinuidade do projeto Nvu. A comunidade então
se reuniu e criou o KonpoZer, que nada mais é que o próprio Nvu com
algumas melhorias e principalmente com correções de bugs.
O Mozilla Application Suite também foi abraçado pela comunidade, o projeto que tem apoio, mas não o
envolvimento da Mozilla foundation, é conhecido como Sea Monkey.
Ele contém uma versão de um Composer, que não incorpora as últimas
atualizações que podem ser encontradas no KompoZer. Resumindo, hoje o
programa de criação de sites que mais tempo potencial de um dia
conseguir o sucesso que o Firefox conseguiu é o KompoZer.
Hoje
em dia o programa tem uma porção de recursos, incluindo suporte a CSS.
Ele tem versões para Windows, Linux e Mac e para quem não tem muito
conhecimento e está procurando uma alternativa livre para um editor de
sites simples, ou pra quem já tem um conhecimento maior em programação
de sites, já que certos recursos o programa só suporta nas linhas de
código, O KompoZer ainda não está pronto, mas já é uma boa opção.
Esse site inclusive é feito nele.
| Site oficial do projeto KompoZer | | | [ Voltar ao topo ] [ ir ao indíce de Tecnologia ] | Teorias da Conspiração: Metereologia
25.julho.2008 - 12:57
Por: Diogo César
Saber qual o mês não é o suficiente pra que
possamos prever se vai estar frio ou calor. A ciência se desenvolveu,
trouxe uma porção de análises de humidade, velocidade do vento,
satélites com mil opções de filtros de observação e cálculos
avançados de dinâmica de marés e até de gravidade local. Tudo isso abriu a
possibilidade de prever qual será o clima amanhã, ou o dos próximos
dias, meses a anos. Imagine
se eu disser que amanhã vai fazer sol e acertar, aí depois disser que
vai chover e acertar de novo, depois disser que vai fazer frio e mais
uma vez acertar. Essas previsões de curto prazo seguidas de acertos me dariam
uma credibilidade, o curto prazo é importante porque as pessoas
não gostam de esperar quando querem ser surpreendidas e adivinhar qual
será o clima no dia seguinte é surpreendê-las, já que o conhecimento
popular de ver o céu da noite e saber como vai ser o dia seguinte,
se perdeu. Em metereologia,
inclusive, fazer previsões de prazo mais curto é mais fácil, já
que existe muito menos chance de o vento mudar, ou de qualquer coisa
inesperada acontecer. Tendo
essa credibilidade, se eu disser que o próximo mês vai ser frio, muito
frio, talvez o mais frio do ano, é bem provavel que as pessoas acreditem. Elas ouvem
a previsão do dia seguinte estar quase sempre correta, porque então pra elas essa do
mês todo não estaria? Pras pessoas o que importa é quem está adivinhando e
não a "dificuldade da adivinhação", não faz muita diferença se eu
disser próximo mês ou próxima década. Se eu tiver credibilidade o
bastante, só precisa ser eu quem está dizendo e pronto. E qual a utilidade disso? O
clima influencia na maneira que as pessoas vivem, o que elas fazem, o
que deixam de fazer, o que comem e o que compram. Então se eu tivesse
uma loja de roupas, ou mesmo um shopping com uma porção de lojas de
roupas, iria me interessar muito que a previsão do tempo dissesse que
vai ser muito frio o próximo mês. As pessoas acreditariam e se veriam
influenciadas a ir comprar blusas, toucas, meias, cobertores, chás e
canecas além é claro de gastarem algo na praça de alimentação do
shopping já que vão ficar o dia todo lá. Anunciar tempos de calor
poderia ter o mesmo efeito. Para cidades turísticas, previsões do tempo favoráveis seriam muito úteis. Quem iria pra
praia se soubesse que a previsão para o feriado é de chuva, ou pra uma cidade famosa pelo frio se não vai ter frio? Pense
também como dificilmente seria anunciada uma temperatura que fosse tão
baixa que as pessoas não pudessem sair de casa, mesmo que essa
temperatura de fato ocorresse. Um dono de uma indústria farmaceutica
poderia se interessar por ver as pessoas pegando friagens desprevenidas
e sofrendo as consequências de mais uma "virosa inesperada". Indo
um pouco além seria possível também fazer uma manutenção dessa
credibilidade de curto prazo de uma maneira bastante segura e barata.
As pessoas não assistem a
previsão do tempo todo dia e se assistem não guardam o que foi dito
ontem ou antes de ontem. Elas sabem que a previsão disse que ia ser
frio e foi, não guardam os números. O segredo está em saber dizer que
vai estar frio, mas ao
mesmo tempo dizer que vai estar calor, anunciar uma
temperatura máxima e mínima com diferenças de até 12 graus, por
exemplo, criando uma "faixa de acerto" grande. Além disso, as pessoas
comuns não dispõem nem de equipamento
nem de tempo para efetivamente conferir se a temperatura do dia
corresponde a temperatura prevista. O que não depende de medição elas
sentem, isso é, se faz frio ou se faz calor só isso. A
metereologia é uma ciência bastante estatística, ou seja, permite erros
e
incertezas nos resultados anunciados. As pessoas compreendem se forem
para a praia num feriado achando que teria sol e não tiver. Elas
xingam, reclamam que a metereologia nunca acerta, mas no final sempre
dão ouvidos ao que ela diz. Mas o mais interessante é que a
metereologia tem essa credibilidade, tem essa imagem de que é
inofensiva e que jamis podeira fazer parte de alguma teoria da
conspiração. Aprendemos a acreditar que a previsão do tempo é nossa
amiga. Mas se quisessem, ela poderia muito bem não ser. | | [ Voltar ao topo ] [ ir ao indíce de Teorias da Conspiração ] |
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