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| Não
é só mais um Filme: The Fall
16.setembro.2008 - 01:19
Por: Diogo César
Quando
descobriram que arte poderia ser entretenimento, a maneira de se fazer
arte mudou, especialmente quando alguém que não era artista começou a ganhar dinheiro
com isso. The Fall é um filme que nos lembra que o cinema antes de ser
mero entretenimento é também arte, é poesia, é cor e deve ser mais do
que uma história genérica de noventa minutos.
Esse é um daqueles
filmes que tem uma história de como foi feito tão interessante quanto a que ele conta.
Tudo começou da cabeça do escritor, jornalista e poeta búlgaro Valeri
Petrov, que escreveu um roteiro para um filme que falava sobre contar
histórias, sobre imaginação e sobre como nossa imaginação e as nossas
histórias demonstram quem nós somos. O filme foi lançado em 1981 com o
singelo nome de Yo ho ho. Por ser um filme búlgaro não foram muitos os
que puderam ver, mas um deles foi o cineasta indiano Tarsem Singh (ou
simplesmente Tarsem) que ficou conhecido em Hollywood pelo filme A Cela.
Tarsem
ficou apaixonado pelo filme e tentou durante muito tempo viabilizar a
produção de um remake para que mais gente pudesse conhecer a história,
mas não teve muito sucesso. Com várias locações ao redor do mundo,
uma história diferente das histórias normais e com o perfeccionismo que
ele queria, a solução que ele encontrou foi bancar do próprio bolso
grande parte do filme.
 Os heróis da história que é contada na história que o filme conta (?!) Os atores foram selecionados com muito
critério, especialmente o de Alexadria, a co-protagonista do filme,
interpretado por Catinca Untaru,
que o diretor conseguiu encontrar na
Romênia depois de muita busca. Ter encontrado a atriz para o papel de
Alexandria inclusive foi uma das coisas que fez o filme ser acelerado e
mais dívidas e loucuras serem cometidas em nome da realização da sua
idéia, isso porque tinham que gravar logo, antes que ela
crescesse, antes que ela mudasse, antes que ela deixasse de ser a exata
reprodução que Tarsem via para Alexandria. E honestamente falando, toda
vez que ela aparece ela brilha na tela, prende a atenção e dá toda a
inocência e o carisma que a personagem precisava. Se não fosse a atriz
certa o filme não funcionaria.
 Catinca Untaru, como Alexandria
O outro
protagonista do filme é Lee Pace, ator que tem aos poucos conseguido
mais atenção e pode ser viso atualmente como o protagonista da série
Pushing Daisies, no canal da Warner na TV paga. O ator também foi
encontrado nas inúmeras buscas de Tarsem em um teatro em Nova York e
segundo diz a lenda só foi perguntado a ele se ele tinha um pênis já
que o personagem que ele deveria interpretar era um homem.
Tendo
dito tudo isso quase não resta muito pra dizer sobre o filme. Alguns
filmes agente não tem que ficar comentando muito, são
mais como algo que você vê, absorve e guarda pra você o que viu. Esse é
um filme diferente do que você está acostumado a ver, tanto na parte
gráfica quanto na maneira que a história se monta e se desenrola. Mas
não ache por isso que é uma daquelas experimentações mirabolantes, não
é nada disso. É um filme que qualquer pessoa pode ver, desde uma
criança até um adulto e ambos podem gostar.
 - Tio, porque você tem cara de bebum louco? - Cale a boca que eu faço uma torta pra você
Minha
única crítica ao filme não é bem ao filme. É uma crítica a indústria do
entretenimento em si. The Fall é um filme incrível, muito bem feito,
muito bem produzido, mas que se tivesse tido a atenção merecida poderia
ser melhor em sua produção, em seus cenários, em seus efeitos, tornando
a história ainda mais fantástica e bela. Para quem tiver uma visão além
do alcance
vai perceber que o filme tem uma espécie de tom de feito em
casa, de improvisado com talento, o que não é um problema nem estraga
nada. Se as pessoas dos estúdios que financiam os filmes tivessem
dado atenção, especialmente se
considerarmos a divulgação zero, o lançamento em praticamente nenhuma
sala de cinema e o simples fato de parecer que um filme tão bom nunca
existiu para a grande indústria de hollywood, The Fall poderia ser muitas vezes mais o que é.
 O diretor, Tarsem e o autor do roteiro original, Valeri Petrov
Se você gosta de
histórias você vai gostar desse filme. Se você gosta de contar e ouvir
histórias você vai gostar mais ainda, agora se você não só gosta de
contar e ouvir, mas também de criar histórias você não pode deixar de
ver The Fall.
| Trailer no You Tube |
Normalmente eu não faço isso, mas como a chance desse filme aparecer em qualquer lugar por aqui é mínima, eis um torrent. Não se esqueça de apagar o filme em 24 horas, heim? | | [ Voltar ao topo ] [ ir ao indíce de Cinema ] | Pedaços
de história: Um pequeno lapso de tempo
15.setembro.2008 - 23:08
Por: Diogo César
Se
eu tivesse menos medo do tempo eu seria mais calmo. Se ele não passasse
como passa, talvez eu não me lembrasse do passado com tanta saudade ou
me preocupasse tanto com todas as maneiras que eu desperdicei ou não a
minha vida.
Se eu tivesse menos medo do tempo eu veria o futuro
de uma forma diferente. Não veria como um fim, como um pedaço de
estrada que só vai chegar até ali adiante. Talvez eu visse o futuro
como um caminho pra chegar onde eu quiser, quando eu quiser e se eu
quiser. Eu veria todas as possibilidades e saberia um pouco mais qual
seria a maneira certa de tomar minhas decisões, no final nenhuma delas
seria errada porque haveria tempo o bastante pra que qualquer coisa
fosse possível.
Se eu tivesse menos medo do tempo eu seria mais
novo. Seria provavelmente menos sábio, mas mais tranquilo.
Provavelmente não precisaria me reconfortar diante das tristezas
sabendo que somente com elas poderia encontrar alguma felicidade de
verdade. Não iria olhar pra minha pessoa do passado como se agora eu
fosse melhor.
Se eu tivesse menos medo do tempo eu seria mais
justo com as pessoas. Não iria cobrar que elas tivessem o mesmo passo
que eu. Iria provavelmente perdoar mais a ignorância, a imaturidade e
as injustiças. Entenderia melhor os erros e o próprio desespero que
elas mesmas sentem ao viver e temer o tempo da mesma forma que eu. Eu
seria diferente com as pessoas.
Se eu tivesse menos medo do
tempo eu me permitiria contemplar mais a imensidão das coisas. Me
permitiria ver todos os motivos e todas as razões que levam certas
coisas a aconteceram com atenção e vontade o suficiente pra impedir que
certas delas ocorressem. É preciso errar pra acertar, mas pra bom
entendedor meia palavra basta.
Se eu tivesse menos medo do tempo
iria dormir mais, ser menos pessimista, dizer mais a cada dia como as
pessoas importantes são importantes e ouvir, realmente ouvir tudo
aquilo que elas tem pra nos dizer e dizem, mas que não ouvimos direito,
porque ouvimos demais o som que o tempo faz quando passa, além é claro
do som das nossas próprias lamentações. Eu iria saber ver o valor de
cada pequena coisa construída, encontrada, feita ou achada. O seu valor
devido, que garantisse a preciosidade necessária pra tornar aquilo
eterno.
Se eu tivesse menos medo do tempo eu não iria me
perguntar sobre como as coisas seriam se u não tivesse tanto medo dele.
Um dia, quando eu acordasse e algo acontecesse, eu olharia pra mim,
fecharia os olhos, manteria a calma e saberia a resposta. Simples
assim, num pequeno lapso de tempo.
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de história: O dia em que o tempo parou
15.setembro.2008 - 21:59
Por: Diogo César
Os
jornais diziam que o tempo ia parar no próximo dia. Os cientistas
tinham analisando o cosmos e tinham visto que não sabiam de nada e que
tinham passado muito tempo achando que estavam descobrindo as leis que
regem a nossa existência, mas na verdade estavam apenas satisfazendo
suas vaidades. Uma mensagem vinda dos céus dizia que o tempo ia parar
dali 18 horas, 25 minutos e 13 segundos. Pra muitos era o fim do mundo.
Todos
acreditaram, porque como é uma história podemos dizer que aconteceu o
que quisermos que tenha acontecido. O fato é que receber uma mensagem
do espaço deixou as pessoas menos preocupadas do que o que a mensagem
em si dizia. Como o Papa explicava isso? Como Buda explicava isso? Como
a Globo explicava isso?
Maria
Antonieta estava muito enfurecida, andava pelada pela casa gritando e
berrando que ela não queria o fim do mundo, que queria dar antes de
morrer, mas não pra qualquer um, mas pro seu príncipe encantado que ela
não teria mais a chance de conhecer.
Dona
Cota se perguntava se a televisão ia dar um jeito de contar como
acabavam as novelas já que ela não poderia saber como aquelas adoráveis
histórias de adoráveis personagens iriam adoravelmente acabar. Ela,
gente de antigamente, daquela época em que as pessoas tinham atitude,
escreveu uma carta para a emissora e a pois no correio. Coitada, mal
sabia ela que a carta não chegaria até as mãos deles antes do tempo
parar. Se ela tivesse tido tempo de conhecer o e-mail, quem sabe.
Seu
Pedro decidiu que era hora de tomar jeito, iria para de beber, de fumar
cigarros, de cheirar cocaína, injetar heroína, de ver pornografia
infantil, de fumar maconha e de ser padre.
Marcelo
achou que era hora de contar a verdade pra seu pai sobre aquela
história dele e do Gegé. É claro que já tava na cara, todo mundo já
sabia, mas falar assim a verdade para o “papi”, seria um grande
desafio, mas era a coisa certa a se fazer.
Muitas
pessoas pensaram que aquela fosse a última chance de fazer a coisa
certa. Milhões de pedidos de desculpas e perdões, milhões de momentos
de reconciliação e uma porção da namorados que tinham dado um tempo
resolveram de uma vez se ficariam juntos para o fim do mundo ou não. Houve também muito arrependimento. Moridisnelson, por exemplo, soube que não poderia mais mudar legalmente de nome.
As
gêmeas Mabele e Mirela não poderiam estrear seu espetáculo. O mundo
teria que esperar uma nova oportunidade cósmica para conhecer o
incrível balé de bonecos articulados na água.
Muitas
e muitas pessoas se desesperavam por não poderem mais fazer aquilo que
nuca fizeram, aquilo que sempre quiseram fazer ou que sempre souberam
que deveriam fazer. Ver o fim próximo e anunciado forçava-os a sair de
um estado ignóbil e imprestável. Esse jeito assim que nós vivemos hoje. Coitados,
mal sabiam eles que a mensagem era falsa. Era a obra de um louco e
inconseqüente, um desses depressivos de pena, laptop ou teclado macio
nas mãos, que, talvez, nas horas vagas gostasse de cozinhar e fazer
terrorismo psicológico com grandes populações. A mensagem era falsa
porque no final era só uma história e eles não eram mesmo pessoas, eram
só personagens, não tinham problemas de verdade. Na verdade eles ne
existiam. Mas
mesmo sendo uma história, ele sabia que seu ato traria conseqüências.
Talvez não as terríveis que teriam se a história não fosse história e a
realidade não fosse real. A verdade é que é tudo mentira e o louco
sabia no final que mesmo que não desse certo, pelo menos era bem
possível que ele tivesse encontrado uma solução brilhante. Seu ato
talvez fosse a única maneira de fazer uma revolução nos dias de hoje. O
ser humano sempre vê novas cores diante das perdas e dos fins. E repare
que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. | | [ Voltar ao topo ] [ ir ao indíce de Pedaços de história ] | Filme: [●REC]
06.setembro.2008 - 05:11
Por: Diogo César
Quando a bruxa de blair
apareceu faturando tudo o que faturou, custanto a pequena quantia
que custou, o mundo todo ficou sabendo que algo novo tinha sido
descoberto. Usar uma câmera que simula um cenegrafista amador para
contar uma história se mostrou uma idéia muito eficiente, mas apesar
disso tirando o recente Cloverfield, que conta a história de um ataque de um mostro do tipo Godzilla a Nova York e esse excelente filme espanhol de nome REC, essa idéia boa e barata não tinha sido usada de maneira relevante. Pelo menos não que eu tenha tido a honra de saber.
Essse
é um filme de terror, um tipo de filme que geralmente é mais voltado
para uma coisa trash do que verdadeiramente aterrorizante. Nesses
tempos onde filme de terror diferente são só aqueles que imitam aquele
tom de terror místico japonês, REC
não deixa de ser trash, afinal temos zumbis e cenas clássicas desse
tipo de filmes, mas essa roupagem de filmar do ponto de vista de um dos
personagens, de colocar o telespectador dentro da cena do filme e
dentro do personagem, faz diferença. A
história é simples, trata-se de um programa de televisão que vai cobrir
as atividades de um corpo de bombeiros. Sendo assim, os primeiros
quinze minutos do filme parecem mesmo um programa de televisão até que
os bombeiros recebem uma chamada e aí começa nossa aventura através dos
olhos do cenagrafista do programa que tenta registrar todos os
estranhos fatos que estão acontecendo num prédio de onde a chamada dos
bombeiros foi feita.  - O não! O que é aquilo lá no alto?! - Oh, eu não sei... mas parece o... o... o teto!
Apesar
de se tratar de um filme espanhol a pegada é bastante
hollywoodiana, a única diferença está mesmo no roteiro. É uma história
de zumbi, então de certa forma agente sempre sabe o que vai acontecer,
mas a maneira que as coisas acontecem aqui são bem legais. Uma
pequena curiosidade é que o filme tem apenas cerca de uma hora e dez
minutos. Isso acaba não fazendo diferença, já que o filme é bem
montado o bastante para que a história acabe no tempo certo, sem ser
curto demais ou longo demais. Uma versão estadunidense do filme tem
previsão de estrear por aqui em 5 de dezembro com o nome de "Quarantine".
Por outro lado, se você acabar ficando satisfeito com a versão
espanhola prepare-se pois uma continuação deve estrear nos cinemas
espanhóis e na internet no ano que vem.  - Parem de usar boas idéias de maneiras idiotas, seus filhos da mãe do entretenimento!
Se
você gosta de filmes de terror, você vai gostar bastante desse filme.
Já se não gosta vai se surpreender, já que o clima e a imersão
proporcionados pela câmera em primeira pessoa o tempo todo e o clima
rápido e interessante com que a história se conduz fazem desse um filme
bom, e não só um filme de terror. Realmente não há nada como usar
a idéia certa para a idéia certa do jeito certo. | | [ Voltar ao topo ] [ ir ao indíce de Cinema ] | Peter Pan
30.agosto.2008 - 18:05
Por: Diogo César
Alguns
nomes em alguns idiomas podem servir tanto para homens quanto para
mulheres. Em inglês, por exemplo, o nome Wendy, até que a história de
Peter Pan surgisse era predominantemente um nome masculino. Essa é uma
das coisas que um livro pode fazer, mas Peter Pan, em sua época fez
mais do que criar um geração de meninas Wendy. Ainda hoje, ler o texto
original de Peter Pan mostra porque o personagem vive até hoje.
Não
sei se essa foi a primeira história infantil que era também relevante
para adultos, mas sei que um personagem que não quer nunca crescer e se
tornar um adulto atinge muito mais um adulto do que uma criança, afinal
de contas um adulto sabe o que é ser um adulto e sabe como foi ser uma
criança, já a criança só sabe metade da história e no final não entende
o que uma coisa ou outra quer dizer. Sendo assim, a primeira coisa que
percebemos ao ler essa história é existem duas formas de se olhar pra
ela, como um adulto e como uma criança. Para
as crianças o que vale é a fantasia e as aventuras, piratas,
crocodilhos, indíos, sereias, lutas com espada, pessoas que voam e
fazem coisas fantásticas e se fossemos querer considerar o livro apenas
por isso já seria o bastante para que ele fosse alguma coisa em alguma
lista de livros infantis que as pessoas adoram fazer. Para
os adultos mostra uma imagem de como o tempo passa e de como as coisas
mudam, de como com o tempo esquecemos de certas coisas e passamos a nos
importar com outras nem tanto importantes. Acho que o mérito maior é
que Peter Pan consegue ser uma daquelas histórias que agente escuta
quando é criança e guarda pelas coisas de criança que ela tinha, mas a
medida que vamos crescendo e a história permanece em nossa memória
começamos a lembrar dela e entender aquelas partes que não entendíamos
e de repente temos uma visão totalmente diferente do que aquela
história foi. Pra
quem nunca teve curiosidade de ler o texto original, não é difícil
encontrar, já que ele é publicado até hoje. Por mais que seja um livro
publicado em 1911 (tendo sido primeiro uma peça lançada em 1904) possui
uma linguagem moderno e um estilo de escrita diferente onde o narrador
sabe que aquilo é uma história e conversa com o leitor conforme vai
contando tudo. O tom do livro acaba tombando para algo mais surreal do
que fantasioso e apesar de ser bom, para os dias de hoje não tem um
impacto tão grande, já que hoje esse estilo e esses universos
grandiosos não são uma novidade. Em
2006 foi publicado o livro Peter Pan Escarlate que é tido como uma
sequência oficial da história. Na verdade o aconteceu foi o que o
hospital infantil "Great Ormmond Street" que ganhou os direitos do
original doados pelo autor, realizou um concurso para criar uma
continuação da história já que em 2007 esses direitos se encerraram, o
que quer dizer que Peter Pan hoje é de domínio público, enquanto que os
direitos dessa continuação oficial não, de moco que podem continuar a
ajudar a sustentar o hospital. Há quem diga que apesar de ser bom, esse
novo livro, escrito por Geraldine McCaughrean é bom, mas não se iguala
ao original, preciosismo de gente chata que só valoriza o trabalho de
quem já morrei ou não, particulamente não li, então não sei.
 O autor Sir James Matthew Barrie, nascido em 9 de maio de 1860, em Kirriemuir, foi também jornalista, e escreveu um monte de outros livros e peças. Naquela época os bigodes eram muito importantes.
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